Campanha de Estudos sobre solo, carbono e regeneração florestal na Reserva Biológica do Gurupi na Reserva Biológica do Gurupi


Por em 23 de setembro de 2026



Desde 2022, pesquisadores vinculados ao Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD Gurupi) desenvolvem estudos na Reserva Biológica do Gurupi (REBIO Gurupi) para compreender como diferentes formas de uso do solo influenciam a recuperação das florestas. A pesquisa avalia os estoques de carbono, as propriedades físico-químicas do solo e a cobertura do dossel em áreas com diferentes históricos de regeneração. Estudo conduzido pelo biólogo pós-doutorando Luis Fernando, vinculado ao PELD Gurupi.

ㅤㅤ

Acompanhando a regeneração da floresta

A pesquisa aproveita a presença de áreas com diferentes históricos de uso e degradação na REBIO Gurupi. São comparadas florestas maduras conservadas, áreas em regeneração após a ocorrência de fogo e florestas secundárias em recuperação após o abandono de pastagens. As áreas em regeneração possuem, em média, entre sete e oito anos de recuperação natural. Esse acompanhamento permite entender como a vegetação e o solo respondem ao longo do tempo após impactos como queimadas e atividades agropecuárias. Assim, o estudo contribui para identificar processos importantes para a conservação e a restauração das florestas da Amazônia Maranhense.

ㅤㅤ

Desenho experimental da pesquisa

Em cada uma das condições de cobertura vegetal, foram estabelecidas parcelas experimentais subdivididas em subparcelas. A distância mínima de 200 metros entre as parcelas foi adotada para garantir a independência espacial das unidades amostrais. Além do histórico de regeneração, a pesquisa também considera a influência da topografia. Com o uso do modelo Height Above the Nearest Drainage (HAND), as áreas foram classificadas como baixadas ou áreas altas, de acordo com sua posição em relação à rede de drenagem. Dessa forma, o estudo combina três tipos de cobertura vegetal e duas posições topográficas, formando um delineamento experimental que permite avaliar como esses fatores influenciam a vegetação e as características do solo. Foram avaliadas 18 parcelas entre 2022 e 2023 e outras 18 parcelas em 2025.

ㅤㅤㅤ

Coletas de carbono e biomassa vegetal

Para estimar os estoques de carbono acima do solo, os pesquisadores realizaram coletas em três subparcelas distribuídas ao longo da diagonal de cada parcela. Foram avaliados componentes como o material herbáceo, a serapilheira, formada por folhas, galhos finos e outros materiais vegetais depositados sobre o solo e a necromassa fina, composta por materiais lenhosos em decomposição. As amostras foram secas em estufa para determinar a umidade e, posteriormente, estimar os estoques de carbono presentes em cada compartimento da vegetação. Os resultados são expressos em toneladas de carbono por hectare, contribuindo para compreender o papel dessas áreas no armazenamento de carbono. Coleta de serapilheira e necromassa durante as atividades de campo.

ㅤㅤㅤ

Pesquisadores em campo realizando a coleta e análise de amostras de solo e biomassa na REBIO do Gurupi

ㅤㅤㅤ

Solo e cobertura do dossel

A estrutura da vegetação também foi analisada por meio da cobertura do dossel, isto é, a porção do céu que fica coberta pelas copas das árvores. As medições foram realizadas com densiômetro nas subparcelas selecionadas, permitindo comparar o grau de abertura da floresta entre as áreas conservadas e as áreas em regeneração. Também foram coletadas amostras de solo em duas profundidades: de 0 a 10 centímetros e de 10 a 20 centímetros. As análises incluem características físicas e químicas, como textura do solo, pH, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, acidez potencial, matéria orgânica e carbono orgânico. Essas informações são fundamentais para avaliar a fertilidade do solo, a disponibilidade de nutrientes e as mudanças que ocorrem durante o processo de regeneração florestal.

ㅤㅤㅤ

Resultados preliminares

Os resultados iniciais, obtidos a partir das amostragens realizadas em 2022, já indicam diferenças importantes entre as áreas avaliadas. As florestas em regeneração após o abandono de pastagens apresentaram menor estoque de necromassa fina em comparação às florestas maduras, enquanto as áreas afetadas pelo fogo apresentaram uma condição intermediária. Também foi observada uma tendência de maior acúmulo de matéria orgânica associada à serapilheira nas áreas que passaram por incêndios. Em relação à topografia, as áreas de baixada e as florestas de maior porte apresentaram maior quantidade de material herbáceo, enquanto a necromassa fina foi mais elevada em áreas de floresta situadas em posições topográficas mais altas. Quanto às propriedades do solo, os dados indicaram menor teor de cálcio nas áreas florestais em comparação às áreas anteriormente utilizadas como pastagem, além de uma tendência de redução dos estoques de fósforo ao longo da trajetória de recuperação. Os resultados sobre o dossel mostraram um gradiente claro entre as áreas estudadas: as florestas em regeneração após o abandono de pastagens apresentaram maior abertura do dossel, seguidas pelas áreas em recuperação após o fogo. Já as florestas maduras apresentaram uma cobertura mais fechada e contínua.

ㅤㅤㅤ

Na REBIO do Gurupi, a pesquisa em campo busca compreender as características do solo e os diferentes componentes da floresta

ㅤㅤㅤ

A importância da pesquisa para a conservação

O acompanhamento de longo prazo dessas áreas permite compreender como o solo, a vegetação e os estoques de carbono se reorganizam após diferentes tipos de perturbação. Esses conhecimentos podem contribuir para ações de conservação, recuperação de áreas degradadas e valorização da biodiversidade presente na Reserva Biológica do Gurupi. Os resultados apresentados são preliminares e correspondem às coletas realizadas em 2022. As amostras mais recentes ainda serão encaminhadas para análises laboratoriais, ampliando o conhecimento sobre a dinâmica de regeneração das florestas da REBIO Gurupi.

 



Últimas Postagens