Sobre o projeto
A pesquisa é realizada na REBIO Gurupi, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Contamos com o apoio da administração dessa unidade de conservação (UC), que disponibiliza as instalações da base operacional norte durante nossas atividades de campo. A origem da REBIO Gurupi remonta à década de 1960, quando foi criada a Reserva Florestal de Gurupi, com aproximadamente 1.674.000 hectares, pelo Decreto nº 51.026, de 25/07/1961. Estudos conduzidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) recomendaram a criação de uma unidade de proteção integral, resultando na Reserva Biológica do Gurupi, instituída pelo Decreto nº 95.614, em 12/01/1988. Situada na Área de Endemismo Belém (AEB), que se estende do oeste do Pará ao oeste do Maranhão, a REBIO Gurupi protege os últimos remanescentes florestais do bioma Amazônia no Maranhão. A AEB é considerada a região mais desmatada do Bioma Amazônico no Brasil, tendo perdido cerca de 76% de sua cobertura vegetal. Além disso, abriga milhares de indígenas de diversas etnias e possui uma alta taxa de biodiversidade e espécies endêmicas. Atualmente, a REBIO Gurupi cobre uma área de 271 mil hectares, abrangendo os municípios de Centro Novo do Maranhão, Bom Jardim e São João do Caru. Junto às terras indígenas vizinhas, forma um corredor florestal com mais de 2 milhões de hectares, constituindo o maior remanescente de floresta Amazônica no Estado e a única Unidade de Conservação da AEB. Apesar de sua importância, a REBIO Gurupi sofre ameaças constantes, como a extração ilegal de madeira e a ocupação agropecuária irregular. Em 2015, uma grande queimada atingiu a reserva, deixando vastas áreas em regeneração natural sem intervenção humana. Essas circunstâncias proporcionam uma oportunidade única para estudar o potencial de recuperação da biodiversidade da REBIO Gurupi. Através de um monitoramento de médio e longo prazo, buscamos entender os mecanismos que impulsionam a recuperação das florestas da REBIO Gurupi após queimadas e outros impactos, além de avaliar sua resiliência frente às ameaças ambientais. Para isso, estabelecemos parcelas permanentes de monitoramento da vegetação e do estoque de carbono, além de um sistema de acompanhamento da fauna terrestre e aquática. Nosso objetivo é compreender a recomposição natural dos habitats afetados e avaliar a resiliência das populações, especialmente de espécies endêmicas ameaçadas que encontram na REBIO Gurupi seu último refúgio selvagem. Nossa equipe multidisciplinar de educação ambiental e divulgação científica atua de forma integrada, promovendo uma pesquisa colaborativa. Utilizamos os problemas socioambientais da região como ferramentas para incentivar a reflexão e o pensamento crítico, contribuindo para um desenvolvimento sustentável e equitativo, focado na qualidade de vida da população e na preservação da biodiversidade.
Objetivos
Local de Atuação

A REBIO Gurupi

Desenvolvimento de Pesquisa
